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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, French
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A CULPA É DO BONDE!

                No centro de Porto Alegre existem alguns lugares marcantes que fazem parte da minha infância.

                A praça onde estão a Prefeitura e o Banco do Brasil, com o chafariz ao centro; a Livraria do Globo; o Mercado Municipal; o Hotel Majestic onde viveu Mário Quintana; a Usina do Gasômetro e outras, muitas outras coisas mais.

                Até hoje, quando passo pela cidade, vou ao mercadão almoçar no Gambrinus. Lá está o melhor e maior filé a milanesa que conheço. E que tal o morango com nata batida da Banca 40 na sobremesa?

                Da última vez encontrei um garçon que não lembro o nome (mas com plaqueta de patrimônio do local, por ter começado a trabalhar lá aos 15 anos e continuar até agora aos mais de setenta), e servia a mesa do meu tio Cídio em suas andanças boêmias ao lado de Lupicínio Rodrigues e outras figuras da noite. Coisa de “pouco” tempo atrás...

                No final dos anos sessenta, ainda criança, me arriscava com alguns amigos, principalmente o Otto Guerra, a ir ao centro para comprar peças de carrinhos de autorama ou modelos para montar. Tudo na descida da Rua da Praia, numa loja chamada Hobby, templo dos brinquedos. E tinha o mil folhas da Confeitaria Princesa...

                Íamos caminhando pela Avenida Independência. Perigo? ZERO!

                Várias vezes cheguei ao centro também de bonde (é... BONDE!), saindo da casa de meus avós lá para os lados da Av. Cristóvão Colombo.

                Ao final desse trajeto, o ponto final, chamado Abrigo da Praça Quinze, construído em curva não sei se para acompanhar os trilhos do bonde ou vice-versa...

                Prédio antigo já naquela época, próximo ao Chalé da Praça Quinze, este feito em metal e vidro (talvez estilo Belle Époque?) onde hoje funciona um restaurante ou algo parecido.

                Hááááá... Mas a culpa não é do bonde? Culpa do quê, mesmo?

                Bem, o Abrigo da Praça Quinze era repleto de lancherias (assim que se fala no bom gauchês) em sua construção curva, expondo seus produtos para atrair quem chegava ao centro a fazer um lanchinho.

                Produto principal que saltava aos olhos de quem descia do bonde? Batida de abacate! (que aqui se chama Vitamina). É... Aquela feita no liquidificador com leite e açúcar (nada de cachaça).

                Certa vez ao chegar lá com o Otto resolvemos encarar uma, muito embora elas apresentassem um aspecto assim, meio que estranho, um pouco escurecido pela oxidação já que ficavam ali “repousando” por um certo tempo até serem consumidas (ou seria por não lavarem direito os copos dos liquidificadores?).

                Sei lá, mas ao provar aquela coisa pastosa, com gosto de corrimão de prédio do INSS, senti a garganta travar e o tal líquido crescer e espumar na boca... Ainda bem havia um cesto de lixo próximo...

                Desde então não consegui mais tomar vitamina ou batida, como queiram.

                E então, a culpa é ou não é do bonde?

                Talvez por isso tenham acabado com ele...

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel 



Escrito por Sérgio Schenkel às 19h28
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MISÓGiNA

                Wikipédia: “Desprezo ou repulsa ao gênero feminino e as características a ele associadas...”.

                Bom, essa é a introdução. O assunto é uma moção de repúdio de uma deputada federal apresentada e aprovada numa comissão mista de combate à violência contra a mulher, em razão de adesivos de natureza sexista e ofensivos à Presidente do Brasil. E essa comissão considerou ainda “que ofende não só a presidente, mas as mulheres de forma geral, além de fazer apologia à violência contra a presidente”.

                Confesso que não conheço o conteúdo de tais adesivos... Vou ver...

                Tá. Já vi. É o seguinte: uma imagem de frente da presidente, que a simula de pernas abertas (com a devida “tarja”). É realmente grotesco... fora de propósito. Não entendi muito bem o que isso tem a ver contra o aumento dos combustíveis... Fica para a imaginação de cada um.

                Primeiro, entendo que todo e qualquer presidente da república, por mais que não se goste, merece respeito no mínimo institucional. É coisa de gente educada e normal numa democracia de verdade...

                Segundo, acho que tem imagem melhor para se usar em protesto contra o aumento de combustíveis...

                Apenas minha opinião.

                Agora, utilizar isso para dizer que é ataque sexista a todas as mulheres e incitação à violência me parece meio que forçar uma barra.

                Me desculpem as integrantes da comissão citada, mas a imagem do tal adesivo é uma agressão, sim, ao senso estético, um ataque terrorista (a imagem é um terror, entendam como quiserem...) e uma afronta ao bom gosto de qualquer pessoa, seja qual for sua opção sexual ou gênero, como queiram.

                 Fico me perguntando o que seriam as diversas imagens utilizadas numa campanha “fora Lula” que rolou há tempos... Inclusive com referência à falta do dedo mínimo do então presidente. Seriam, também, um ataque sexista, só que às avessas (contra todos os homens)? Uma incitação à violência para cortar o dedo de todo o mundo?

                São apenas fatos...

                Que tal investigar e descobrir o autor dessa coisa de mau gosto, punindo-o por desrespeito a imagem institucional de uma presidente da república?

                Hummm... Seria bom também proporcionar ao responsável um estágio no xilindró para ver se ele se recupera e aprende a não mais desrespeitar o senso estético alheio.

                Simples assim!

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

 



Escrito por Sérgio Schenkel às 20h32
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LIGAÇÕES

                Você liga para uma operadora de telefonia celular ou quem sabe para uma de cartão de crédito e invariavelmente ouve, antes de falar com o(a) atendente que “tará tando lhe atendendo”, aquela vozinha eletrônica: “para sua segurança, esta ligação poderá ser gravada”.

                Algo de anormal? Não, isso em tese é para sua própria segurança. E ninguém pediu autorização judicial.

                Aqui em Brasília parece que, para algumas pessoas, isso (gravar conversa) é algo de outro mundo, invasão de privacidade, ataque à “pessoa humana”, quase um crime hediondo, tamanha a repercussão do assunto na mídia.

                Tudo porque, em reunião do governador com parlamentares da câmara distrital, houve o “vazamento” do conteúdo desse encontro mediante a divulgação de gravações de voz. Segundo as notícias, o tema era referente à nomeação de pessoas para cargos comissionados no governo, onde os deputados cobravam a atenção do governador às suas indicações.

                A indignação por parte dos deputados chega ao exagero, ocupando horas e horas de seu precioso tempo em declarações contundentes sobre o tema. Um(a) deles(as) chegou ao absurdo de ameaçar chamar a Polícia Federal para investigar o caso, como se no DF não existisse polícia civil ou se isso fosse um crime federal (!?). Seria necessário/possível ou estaria esse Sr(a) desinformado(a)?

                Dada a natureza dos cargos ocupados pelos senhores deputados distritais, qual seria o problema em tornar público o que discutem em suas reuniões já que representam a sociedade e a ela devem dar satisfação? Parece haver algo a esconder... Como se fosse relevante questão de segurança nacional enquadrada na lei do sigilo...

                E qual o problema em discutir e cobrar do governo a nomeação para cargos comissionados? Tais postos são de livre nomeação, podem ser indicados e exonerados a qualquer momento e muitos indicados podem e colaboram efetivamente. É assim em todo o Brasil e no mundo também. O que não pode é nomear pessoas incompetentes ou de reputação nem sempre ilibada... Coisa que cansamos de ver.

                Tá bom, seria bacana avisar antes da gravação, mas se não há nada a esconder...

                Que tal deixar de gastar tanto tempo caríssimo com discussões e bravatas inócuas e utilizá-lo para fazer algo de bom para o povo do Distrito Federal?

                ÔÔÔ mídia, vê se dá menos holofotes prá isso e vamos ao que interessa!!

**

                Enquanto isso, ocupantes irregulares de terras à beira de uma rodovia, já bem próximo a Brasília, fecham a via em protesto por sei-lá-o-quê. A polícia vai até lá para negociar a retirada dos caras, enquanto o engarrafamento aumenta e pessoas que querem ir trabalhar não conseguem.

                Taí uma coisa que não entendo: como é que se negocia alguma coisa com alguém que está em local irregular e infringe a lei?

**

                Sério mesmo? Acho que deveria voltar ao currículo escolar (por que não da educação familiar?) uma matéria há muito esquecida: educação moral e cívica.

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 16h57
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Fitness (?)

                Vi hoje, num site de notícias, uma receita de bolo fitness. Comecei a rir sozinho...

                Dia desses era suco DETOX (sic), agora é bolo FITNESS (sic,sic).

                Parei para ler a tal receita, que leva maçã, banana, ovos, aveia em flocos, farinha de linhaça e etcétera.

                O que daria se misturássemos um suco DETOX com um bolo FITNESS? Uma maçaroca DEFIT ou TOXNESS, seja lá o que for isso. Para melhorar tudo só se misturássemos batata doce...

                Batata doce?

Sim, é a mais nova salvação miraculosa da alimentação humana.

Arroz e feijão estão em decadência, assim como a farinha nossa de cada dia. Também está quase em desuso a tradicional salada do dia-a-dia de alguns. Afinal, legumes e verduras cruas podem estar contaminadas por agrotóxicos (como se as cozidas estivessem livres disso). Carnes nem pensar, a não ser salmão com ômega 3. Blasfêmia falar em picanha no churrasco.

Talvez um chuchu no espeto...

                Mas voltando a batata, fui pesquisar suas propriedades nutricionais. Hoje é fácil consultar o doutor Google...

                Minha curiosidade a respeito foi decorrência de uma declaração que li outro dia, de um profissional de saúde, dando conta que o tal tubérculo seria bom para diabetes. Fiquei sem saber o que seria isso, já que convivo com ela (diabetes) faz “pouco” tempo e sempre fui informado que esses vegetais eram ricos em carboidratos.

                Pois bem: a cada 100 gramas da batata, 18,4 gramas são carboidratos, coisa nada desprezível considerando que cada 200 ml (1 copo) de coca cola tem 21 gramas. Só para informar: esses 200 ml de coca (a cola) são suficientes para me tirar de uma hipoglicemia... Acho que a partir de agora vou comer 100 gramas de batata doce (RISOS).

                Mas falando em suco detox e bolo fitness, fico pensando no problema que seria criado se as pessoas se alimentassem somente desses alimentos rotulados.

                Dados os componentes dessas coisas, dentre elas a tal batata doce fitness, a couve e o pepino detox, a convivência ficaria um tanto constrangedora e incômoda em determinados momentos e locais, já que um pesquisador chegou recentemente à conclusão que um ser humano expele gases em média 30 vezes ao dia. Pensem com essa mistura bombástica...

                Nesta época fitness e detox, cuidado com elevadores, salas de reunião, carros e outros ambientes fechados...

Por precaução, é melhor andar de motocicleta e fazer reuniões por videoconferência...

Abraços!

 

Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 18h07
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“COLABORAÇÃO”

                Sim, nosso país, como instituição, se encontra numa situação econômico/financeira quase que falimentar, se isso fosse possível para o setor público.

                Em tempos bicudos, o governo lança pacotes de ajustes em várias áreas, tentando melhorar o desempenho da economia e ver se consegue alavancar o crescimento, via arrecadação mediante aumento de tributos. Claro, nessas horas sempre contando com a participação da “sociedade civil organizada”, ou seja, nós, individualmente, é que já estamos pagando a conta de quem gastou mal.

                 Mas isso não é nenhum novo mega sucesso hollywoodiano. O filme é velho.

                Quem viveu à época não se esquece da baita ressaca sentida nos anos seguintes ao fim do milagre econômico dos anos setenta, nem da década perdida dos anos oitenta. Da inflação dos anos noventa também não...

                Em todos os casos, quem pagou a conta e teve que “colaborar” para o soerguimento do país, aguentando os amargos remédios que nos empurraram goela abaixo?

                Tudo é apenas introdução para comentar uma manchete do site globo.com de hoje, 20/05/2015: “CCJ do Senado aprova aumento de até 78% para servidores do judiciário”.

                Levei um susto! Fui ler a matéria.

Se aprovado, o aumento nos salários será escalonado, de julho de 2015 até dezembro de 2017, quando os servidores terão os vencimentos dobrados (em 2 anos!!!) em relação aos atuais. O pagamento será feito em seis parcelas e custará ao país, segundo o Mi(ni)stério  do Planejamento, a “bagatela” de aproximadamente R$ 25,7 bilhões!

Parece antecipação de reajuste salarial, algo assim “preventivo”... Imaginem se a moda pega?!

Prá um país que tá quebrado, é uma quantiazinha razoável, né não?

Segundo uma tal nota técnica do STF, citada na reportagem, a argumentação é que os servidores do judiciário ficaram sem reajuste salarial entre 2009 e 2012.

Pode até ser, mas os servidores do executivo, à exceção de algumas carreiras que se transformaram em verdadeiras castas, ficaram sem reajuste durante muitos anos, receberam uma merreca há alguns anos e, agora, estão sem reajuste também há tempos. Prova disso é que está difícil para o governo trazer profissionais do setor privado para ocupar cargos de direção com os valores pagos pelos cargos comissionados hoje em dia.

Sei não. O que se fala por aí é que cada um tem que dar sua cota de sacrifício.

Mas dá prá acreditar nisso em se tratando de um gasto de R$ 25,7 bilhões para reajustar salário de apenas uma categoria do serviço público?

Bom, se a velocidade dos processos acompanhasse a do crescimento dos salários, até que não seria tão mal assim...

Haja contradição!

Abraços!

 

Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 21h06
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BRASÍLIA 55

                Vou falar a verdade: quando Brasília completou seus 55 de fundação no último 21 de abril, me senti um bocado desestimulado para fazer qualquer comentário.

                Por isso só agora escrevo. Antes tarde...

                Nada contra a cidade ou o “quadradinho”, como alguns querem “inovar” ao fazer essa associação com o formato geográfico do Distrito Federal. Foi pura falta de tesão.

                Brasília apanhou muito desde sua criação. É... Já nasceu apanhando, com uma forte resistência vinda da então capital e depois ex-capital. Foram vários anos e até hoje se nota isso. Basta ver o tempo que a maior rede de televisão do país dedicou ao aniversário da capital em seu principal telejornal no dia 21 de abril: ZERO. Nenhum comentário.

                Até aí, tudo bem (será mesmo?). Mas o que mais me incomoda são os golpes que nós infringimos a nós mesmos, coisa de autoflagelo. Foram anos de pancadaria que culminaram com a falência quase total do nosso poder público nos dias atuais. Se fosse MMA, já teria dado nocaute.

                Quebramos, não só financeiramente, mas como sociedade e coletividade.

                Vários governadores horrorosos passaram por aqui. Sempre que víamos um ruim, pensávamos: “pior que isso impossível”. O tempo nos mostrou que estávamos enganados... Aos poucos e quase que imperceptivelmente, tudo foi se deteriorando.

                A culpa foi só desses caras? Duvido. Muitos e muitos se locupletaram e mamaram nos governos... Afinal o povo gosta de levar uma vantagenzinha aqui e ali, né não?

                Tivemos saúde pública de qualidade: quebrou; educação pública de excelência: também tivemos e quebrou; saneamento básico, água e energia: essas coisas já foram boas e quebraram; segurança? Sim, já foi boa... Tudo bem, o transporte sempre foi ruim, mas ruas e avenidas não inundavam e os buracos eram raros.

                Então, o que aconteceu para nos encontrarmos nessa m&rd@ e, pior, com poucas perspectivas de melhoria não sabemos nem em que prazo, se curto (acho que não), médio (há controvérsias) ou longo (?!).

                Bom, nos empurraram goela abaixo uma câmara distrital com 24 deputados que consomem algo perto de R$ 500 milhões/ano. Dizem ser os mais caros do país (superando inclusive os federais). E produzem o quê, mesmo, desde a sua criaçao?

                Nossos monumentos (e Brasília é uma cidade-monumento, então imaginem...), estão sucateados sem previsão para recuperação. Aqui, como em todo o Brasil é assim: não se faz manutenção para que tudo quebre e depois sejam precisos muuuiiitos milhões para consertar... Só como exemplo: o Teatro Nacional, magnífico, está fechado sem previsão de reabertura, pois precisa de uma reforma de coisa próxima a R$ 300 milhões. Lembro que há uns cinco a sete anos já foi gasto um tantão desse...

                E assim vai com hospitais, escolas, metrô, infraestrutura em geral e etc.

O quê não está quebrado de um tempo prá cá?

                Até os parquinhos das quadras e o castelinho do Parque da Cidade estão destruídos. E vem o tal do administrador do plano piloto dizer em entrevista televisiva que está sendo feito um diagnóstico e levantamentos para identificar os problemas e elaborar projetos de recuperação. Ou seja: ninguém vai fazer nada.

                Nosso poder público é pródigo em diagnosticar, levantar necessidades e elaborar projetos. Pena não ter a mesma competência para realmente agir e resolver problemas de forma célere.

 Prá completar, uns procuradores públicos (o primeiro e a segunda na hierarquia, à época) que foram apanhados com a “boca na botija” em 2011, condenados e tudo o mais, continuam percebendo seus belos salários de mais ou menos R$ 24 e R$ 19 mil respectivamente (parece que foram “aposentados”...????!!!!). A tal senhora, inclusive, entrou com ação no TJDFT para receber férias (SIC), segundo matéria do Correio Braziliense.

                Juntando tudo isso e outros belos exemplos, fica difícil fazer um troquinho prá cortar a grama da cidade, né?

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 12h34
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ACREDITE SE QUISER

(OU A QUESTÃO DA CREDIBILIDADE)

                Coisa séria. Ou será que já foi e perdeu valor de mercado, assim, tal qual ação da Petrobrás?

                Pois bem, algumas coisas me chamam a atenção no dia-a-dia, vendo as notícias que, na maioria das vezes, dão conta de desgraças e mal feitos das mais variadas espécies. Como disse o apresentador Ricardo Boechat outro dia, no Jornal da Band: “Ô Redator, pelo amor de Deus me dá uma notícia boa para ler que não aguento mais noticiar coisa ruim...”. Algo mais ou menos assim.

                Embora não se trate em princípio de nenhuma desgraça, essa coisa de falar e não acontecer é grave.

                Dia desses o Governador do DF, que já não é mais novo passados 3 meses e meio de sua posse, declarou na imprensa que nenhuma manifestação poderia fechar vias de trânsito, coisa comum aqui em Brasília e que atrapalha a vida de um monte de gente. Dia 15/04, uns manifestantes de sei-lá-o-quê fecharam as seis pistas da S1 (Eixo Monumental) no sentido rodoviária-catedral. O DETRAN desviou o trânsito(?!) e, claro, o engarrafamento foi monumental, como o eixo. A polícia só acompanhou (?!)...

                Aqui no DF também tem crise de pediatras... Estão em falta na rede pública de saúde. Em matéria televisiva aparece um funcionário do Hospital Materno Infantil de Brasília dizendo que a unidade hospitalar encerra a triagem de pacientes à meia-noite e que a partir daí não há mais como atender ninguém. Somente após às sete da manhã, quando retorna o serviço (agora tá proibido criança ficar doente à noite!).

                Então o secretário de saúde aparece para dizer que está tomando providências para amenizar o problema. Tomando providências para amenizar o problema??!! Ninguém quer que amenize problema algum, quer solução. Dá um tempo de amenizar tudo e não resolver nada... Sempre com “projetos” e estudos que nunca chegam a nada na prática.

                E depois de muita repercussão na imprensa, parece que a retomada de construções e terrenos à beira do lago Paranoá tá mesmo difícil de acontecer. O Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o Governo deram prazo e tudo... Foi um escarcéu danado, porque agora o acesso ao lago estaria aberto a todos. A mídia parece ter esquecido do assunto, passado um tempo.

Sei não... Concordo que não está certo usar local público e muito menos construir ali qualquer coisa que seja. Mas também temos que considerar a inaptidão do poder público em manter locais públicos com qualidade decente, incluindo a tão necessária segurança. E porque o governo não adotou medidas preventivas e coibiu a tal prática?  Além do mais, esse papo de acessibilidade me cheira a conversa fiada. O lago tem inúmeros quilômetros com acesso para todos... Bem, caso se consiga ultrapassar o mato que existe e ninguém cuida (será que esses novos locais serão cuidados?). Mas, discussões e pontos de vista à parte, cadê? Marcaram data e nada acontece?

                Dá prá acreditar mesmo no tanto de coisa que a gente ouve por aí? Muitas vezes muitas pessoas devem pensar que nossos ouvidos são penicos. É a sensação que tenho...

                Abraços!

 

Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 15h03
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MAIORIDADE PENAL?

                Já falei aqui sobre isso uma vez.

                Mas, devido à repercussão que a mídia tem dado ao assunto depois que a CCJ da Câmara dos Deputados disse que isso é constitucional, vale a pena retomar o assunto.

                Para ilustrar melhor, vou descrever uma charge que vi recentemente.

                Um bandido maior de 18 anos aponta uma arma para a cabeça de um bandido menor de idade e diz assim:

                - Vai, atira logo e “apaga” o cara porque eu fiz 18 anos ontem!

                Com a redução da maioridade penal, o monólogo será assim:

                - Vai, atira logo e “apaga” o cara porque eu fiz 16 anos ontem!

                Grande mudança, não? Haverá apenas a troca de idade dos bandidos, o que, para nós cidadãos, não mudará em nada nosso sentimento de insegurança. Talvez até piore, pois poderá haver o aumento do número de meliantes abaixo de 16 anos em comparação com os de 18, já que vida de bandido é curta...

                Tal regulamentação ou seja lá o nome que derem para isso me parece inócua, como muitas das leis aqui produzidas.

                A questão não é diminuir ou aumentar idade, é criar uma legislação que tenha eficácia e que penalize de verdade quem cometer crime, independente da idade, observados seus atenuantes e agravantes conforme os casos. O que deveríamos estar preocupados em discutir é o alcance imputabilidade penal e até a existência ou não de seu instituto antagônico, a inimputabilidade.

                Aí sim, definindo claramente quem pode e quem não pode (ou não deve) ser alvo de sanções penais, teríamos algo próximo do que se imagina por justiça, mesmo que seja apenas uma parcela desta.

                Enquanto estivermos com o foco fora de foco, inclusive criando leis que depois não servem de nada porque o Estado não mais detém o devido poder coercitivo (ou se exime) para cumprí-las, de nada adiantarão intermináveis discussões que vemos com o tempo caírem no vazio.

                Bem, mas a discussão está aí. Esta é minha opinião, curta e simples.

                Acabo de ver uma matéria na televisão sobre a questão da “apreensão” de menores em Brasília. Desativaram o Centro de Atendimento Juvenil (CAJE), que era uma pocilga onde se amontoavam e faziam pós-graduação jovens criminosos de até 18 anos, criando seis novas unidades adequadas para o cumprimento de prisão (internação?) por menores.

                Somente um ano depois informam que essas unidades estão superlotadas e não tem condições de receber mais ninguém, embora quando criadas tenham acrescido muitas vagas em relação às existentes no CAJE.

                O que vai acontecer com a redução da maioridade penal? As estatísticas dirão que diminuiu o número de menores criminosos e sobrarão vagas nas instituições de “recuperação sócio-educativas”? Ou continuarão superlotadas com hóspedes de idade menor?

                Hummm...

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

 



Escrito por Sérgio Schenkel às 19h33
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CONTRAMÃO

Uma ação proposta pelo Ministério Público Estadual paulista tenta proibir, e conseguiu em primeira instância, que sejam instaladas novas ciclovias na cidade de São Paulo. Alega a instituição autora da ação que as ciclovias não teriam planejamento (?).

Solicitou, ainda, que as obras de uma ciclovia já em construção na Avenida Paulista e que deverá ficar pronta em junho fossem também paralisadas.

O juiz do processo acatou a parte da não construção de novas vias, mas negou a paralisação das obras da Av. Paulista pois “... aparenta melhor estudo e planejamento” (mais interrogações), argumentando que devido ao estágio avançado das obras a suspensão dos trabalhos ou a recomposição ao estado original implicaria em maiores transtornos aos munícipes.

Perguntas: alegar suposta falta de planejamento não é meio inconsistente? Deixar de implantar ruas para bicicletas, disciplinando um tipo de transporte que não polui e desafoga o trânsito? Será mesmo que uma prefeitura faria uma obra sem estudo ou projeto para implantação? Será que antes de tentar acabar com a obra da Av. Paulista já em fase final ninguém pensou no custo disso e no desperdício de dinheiro público? Depois de tudo, onde fica o interesse do público? Hummm... são muitas perguntas...

E Brasília está sem dinheiro, herança do governo anterior.

Há tempos, o governo do Distrito Federal assinou contrato para a realização de provas da fórmula Indy pelos próximos 5 anos. Evento esportivo de grande importância internacional, movimenta milhões de dólares nas cidades por onde passa (tributos diretos e indiretos, hotéis, restaurantes, prestadores de serviço, etc., etc.). Além de aportar divisas para a região, um evento de tal porte é um canal de divulgação da cidade em nível mundial, de magnitude que nenhuma campanha de marketing institucional seria capaz de atingir. Isso representa investimento.

 A contrapartida do governo seria a reforma do autódromo, que já foi um dos melhores do mundo e que estava devidamente sucateado como é comum vermos em relação ao patrimônio público no Brasil. O projeto de recuperação total da praça esportiva foi orçado em R$ 350 milhões aproximadamente. Absurdo e desnecessário.

 Mas para atender às exigências dos organizadores do evento (segurança, acessibilidade, conforto do público e dos participantes, entre outras coisas), o governo do DF estimou um custo de mais ou menos R$ 35 milhões nessa primeira etapa. Calculo que até dezembro/2014 havia gasto metade disso. Muito bem: aí o Ministério Público local “recomendou” ao governo suspender as obras por julgar o contrato desfavorável ao GDF. Faltando 3 meses...

Tudo suspenso e as obras paralisadas (algum governante vai contra uma recomendação do MP?); já tinham sido efetuados vários serviços de terraplenagem, asfaltamento, derrubada de estruturas antigas, retirada de guard-rails e outras coisas. Hoje, tudo abandonado. Com um agravante: aqui estamos no período de chuvas, que caem com vontade. O dinheiro que já foi gasto está literalmente indo por água abaixo.

Quais os reflexos disso, assim, por alto? Mais uma vez, em âmbito internacional, ficamos com fama de não cumpridores de obrigações, sem credibilidade. Perdemos um evento que muitos gostariam de ter (e, pior: por cinco anos!) haja vista que gera recursos importantes e é uma janela de divulgação mundial para a cidade (investimento). Corremos o risco de ter de pagar uma multa que deve ser pesada por descumprimento de contrato de tal porte.                          

Mais perguntas: será que alguém pensou numa simples coisa chamada custo x benefício antes de “recomendar” que parasse tudo? Seria isso falta de visão ou o caminho mais fácil para não ter trabalho de buscar soluções para atender aos interesses públicos?

Assim se vão as oportunidades... E os nossos recursos pelo ralo.

Abraços!

 

Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 16h42
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PILOTIS

                Dia desses fui à SQS 114. Na comercial da quadra, nem pensar em estacionar o carro. Veículos em fila dupla (ou tripla?), largados em local proibido atrapalhando o trânsito próximo ao balão e por aí vai. Polícia ou DETRAN para pelo menos inibir as infrações com sua presença, também nem pensar... Que dirá aplicar multas para ver se o povo aprende pelo bolso.

                Fui então estacionar dentro da quadra residencial; as vagas também eram poucas. Mas consegui uma e, como estava esperando a Rafinha, fiquei ali, ouvindo um sonzinho no carro, sem me importar com a realidade absurda de que poderia ser assaltado...

                Viajei no tempo... Até a infância e a adolescência.

                Brasília funcionava mais ou menos assim: pela manhã, aula. Almoço em casa quando a família se encontrava (sim, todos almoçavam em casa, por mais estranho que possa parecer nos dias de hoje!). Depois de comer, um cochilinho e após um pouquinho de estudo (pero no mucho, porque ninguém era de ferro).

                Então, todo o mundo descia para o pilotis dos blocos. Alguns atraiam mais gente, não sei se pela localização ou pela quantidade de pessoas que nele morava. Daí prá frente, futebol no asfalto ou na grama, saídas de moto, paquerinhas prá lá e prá cá, encontro com namoradinhas, combinações de festas e tudo o mais.

                Podia ser somente um bate-papo prolongado arrastando as bundas no cimento do piso (é... a maioria era assim mesmo), de vez em quando um violãozinho, fumando um Holywood ou um Minister (que tal um Capri?)...

                Tudo começava embaixo de algum bloco. Amizades que se perpetuaram, relações que se prolongaram.

                Vieram outras gerações; a primeira delas, que certamente surgiu de muitos desses encontros e desencontros, ainda pôde viver em parte esse privilégio de “brincar embaixo do bloco”. Se sujar na terra, rolar na grama, sentir de verdade o que Brasília foi projetada para nos oferecer: qualidade de vida com muito verde, amplos espaços e tranquilidade.

                As seguintes não tiveram mais essa sorte.

                Num estalo despertei meio que no susto e me deparei novamente com aquele pilotis ali, na 114 Sul, frio e vazio... Triste... Como todos os demais à sua volta.

                A vida pulsante que existia deu lugar a um mar de carros, grades, vazios intermináveis e solidão.

                As pessoas se recolheram, encolheram.

                Segurança? Internet? Comodismo? Auto-suficiência? Individualismo?

                Daqui a menos de um mês Brasília fará 55 anos.

                Será que a vida nos atropelou ou fomos incompetentes e perdemos uma grande chance?

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 12h04
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COISAS DO BRASIL

- Porsche de doleira que foi presa com euros na calcinha vai a leilão. O veículo, avaliado em R$ 200.000,00 (me parece pouco para um carro desses), será leiloado em Curitiba. Segundo a reportagem, a dona do automóvel encontra-se presa por tentar fugir do país com 200 mil euros na calcinha.

Fico pensando no tamanho da dita-cuja. Tanto da dona como da “lingerie” e, também, do que fica guardado nela (sem ser o dinheiro, claro). Afinal, o volume dessa quantia “cash” dificilmente caberia num corpo de uma modelo de fio dental...

***

- Ex-juiz do caso Eike toma remédios e compõe músicas para superar depressão. Depressão?! O cara desviou recursos e bens que serviriam de provas criminais, usou e abusou de sua condição profissional em proveito próprio e, se condenado, será aposentado com vencimentos proporcionais ao tempo trabalhado.

Desse jeito é fácil compor músicas, mas precisa mesmo tomar remédios para depressão?!

***

- DNA das armas. Ministério Público quer tecnologia inteligente para que armas brasileiras não continuem funcionando caso sua numeração seja raspada(??!!). O modo como a empresa ou fabricante vai empregar a tecnologia não é um problema do Ministério Público. Se será chip, controle(?!) ou GPS, é escolha do fabricante.

Agora bandido vai matar com localização georeferenciada (no caso do GPS). Nos demais casos vai continuar matando também, porque rapidinho descobrirá uma forma de burlar essas coisas. Bem... Mas existem mesmo essas tecnologias?

Que tal cumprir as leis que já temos e deixar os bandidos em cana?

***

- Empresário busca vendedora sem WhatsApp em MG. Decisão ocorreu depois que 12 candidatas trocaram clientes por bate-papo no celular...

 Mas, na opinião de um advogado especialista em direitos trabalhistas, o anúncio da forma que foi escrito dava interpretação discriminatória: “A lei 9029/95 determina que fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a relação de emprego. Assim, entendo que a opção por pessoas que não tenham o referido programa no celular é uma prática discriminatória”, disse.

Ah, tá... Que beleza, hein?

Dentre outras coisas espetaculares que se pode inferir da brilhante interpretação do douto causídico em questão, empresário não pode deixar de contratar empregado que não tá nem aí para a eficiência, senão pode ser um discriminador...

                Viva o direito, abaixo o dever!

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 18h37
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ATROCIDADES

                Sabemos que ocorrem em grau elevado na África e em outros lugares do mundo, digamos assim, menos abençoados em vários sentidos. São crimes bárbaros que acontecem contra o ser humano e independem se as vítimas são mulheres ou homens, crianças, adultos ou velhos.

                Ficamos horrorizados quando nos trazem ao conhecimento mas, sem hipocrisia, sentimos certo alívio por isso não estar perto de nossas vidas. Assim pensamos... Ou queremos pensar.

                Nesses tempos em que as preocupações se voltam para problemas econômicos, sociais, partidários, políticos e outros que assolam o país, ficamos assim, meio que entorpecidos com isso e às vezes esquecemos do nosso dia-a-dia. Duro cotidiano coberto de mazelas e degradações sociais que também fazemos de conta não ver, talvez por não se passarem sob nossos olhos, mesmo que de alguma forma tomemos conhecimento dos fatos.

                São tantas e tão graves que não dá para enumerar. Mas uma em especial me chamou a atenção quando li uma notícia hoje num site.

                Manchete: “Disse que queria tirar foto, diz mãe de menina sobre suspeito de estupro”.

                A chamada em si já é repugnante. A continuação é pior. Revoltante. Por isso escrevo sobre o assunto.

                O fato aconteceu no interior de São Paulo, e o “protagonista” é um cara de 58 anos. Chegou até uma menina de SETE ANOS enquanto ela recolhia roupas do varal em sua casa. Levou-a até o quarto da casa e “falou para ela deitar na minha cama e fazer várias posições, disse que queria tirar uma foto com ela...”, disse a mãe.

                O ato não foi consumado parece que pela chegada de vizinhos.

                A menina estava sob os cuidados da bisavó (que mora na mesma rua) e foi até em casa buscar brinquedos e, como começou a chover, foi tirar as roupas do varal.

                Chega de descrever o caso.

                Agora, vejam só quem é o suspeito: condenado a 154 de prisão por violentar pelo menos 23 crianças, desde 1980. Cumpria pena em um hospital psiquiátrico.

                Segundo a polícia, em fevereiro deste ano a justiça emitiu uma autorização para que o cara se tratasse em liberdade. Existe uma medida de segurança, que ele estaria preso para tratamento. Aí não tem prazo, que no caso, não deve ter sido aplicada ou foi aplicada e constatado que ele estaria bem. Agora constatando que ele não está bem, que cometeu novo delito, ele vai ser analisado novamente pelo poder judiciário”, afirma a delegada Priscila Bianchini.

                HEIN?!?!?!?!?!

                Constatando que ele cometeu novo delito vai ser analisado pelo judiciário?????

                Um cara que está condenado à prisão por 150 ANOS depois de molestar 23 crianças faz o quê em liberdade? Não interessa se é maluco ou não, como é que pode estar na rua com uma pena dessas?

                Para dizer que ele não é mais doido, se fosse possível neste caso, algum médico (só um?) teve que atestar. E um Excelentíssimo Juiz teve que assinar a tal autorização de saída. E ninguém pensou que o “coitadinho” fosse fazer de novo, né? Nem o Ministério Público?

                Todas essas “instituições” não agiram com imperícia, imprudência ou negligência, caracterizando sua culpa? Serão responsabilizadas ou seria mais um “engano” a cair no esquecimento, assim, impunemente? E a criança, como fica?

                Instituições que não funcionam, autoridades que não estão nem aí para o bem comum e etcétera e tal...

                Exemplos que a sociedade absorve e adota como comportamento normal...

                Bem, vou parar por aqui para tomar um pote inteirinho de Sonrisal. Depois dos aumentos de gasolina, energia, água, tomate, pimentão, macarrão, dólar, IPTU, IPVA, IPI, ICMS, Laudêmio(?!!!), reconhecimento de firma e autenticação de cópias(isso só existe aqui!!!!) e instituições soltando condenado a 150 de prisão, só uma dose não dá!!!!

                Tô achando que vou tomar algo mais forte tipo Pantoprazol... Haja estômago para aguentar!

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 19h54
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DITO x NÃO DITO

                Leio na imprensa, depois das manifestações pró-governo da última sexta-feira 13 (ôps! Seria o número do PT ou da sorte/azar?), vários números para dimensionar as coisas. No mesmo site, informaram que em São Paulo havia 12.000 pessoas segundo a PM e 100.000 de acordo com a organização dos manifestantes. Em Brasília, creditaram 6.000 à PM e 2.000 aos organizadores. A disparidade dos números é gritante, meio sem noção...

                Será que o(s) autor(es) da matéria não deveriam checar as informações tamanha a diferença dos números? Ah, tá! De 100.000 para 12.000 é bem parecido, né? De 6 prá 2 também... Se tamanha diferença fosse a menor no salário deles, acho que perceberiam...

                Mas continuando no meu acompanhamento de manifestações pró e contra governo, neste domingo fico ligado no canal de notícias Globonews. Prestar a atenção no que dizem alguns repórteres beira à perplexidade.

                Matéria ao vivo em São Paulo, onde segundo a emissora tinha mais de 1 milhão de pessoas:

                - Estamos aqui acompanhando a PM escoltando um grupo denominado “carecas do subúrbio” composto por 25 a 30 integrantes, detido com explosivos e socos-ingleses, que poderiam ser linchados pelos manifestantes...

                Alguns segundos depois:

                - estamos aqui acompanhando um grupo que foi preso portando explosivos e rojões, que quase foi linchado pela população...

                 Bom, mais alguns segundos e os caras já teriam sido linchados, pensei eu. Se em pouco tempo os caras passaram de “poderiam ser” para “quase”, daí prá frente é um pulo.

                Depois de tanto se ouvir a mesma coisa, apenas aumentando a dimensão, o âncora dispensou o serviço do preciso repórter e fez uma pergunta para outra, também tão ou mais “precisa” que o anterior.

                Resposta: “... eu acho que certamente o governo vai dizer que isso é uma manifestação de classe média, que não representa o povo...”. E ainda repetiu essa pérola pouco depois.

                E então?

Bom, eu acho que certamente havia entre 12.000 e 100.000 ou 2.000 a 6.000 pessoas nas manifestações de São Paulo e Brasília, respectivamente. Acho também que, certamente, a classe média não faz parte do povo, portanto manifestação dessa classe social não conta.

Só para completar, aquele juiz no RJ que andou de Porsche alheio como se fosse dele e confessou que desviou recursos apreendidos como prova judicial para seu bolso, entrou de licença médica. Se condenado na investigação interna do Tribunal, será aposentado com seus vencimentos intactos (proporcionais ou integrais).

Engraçado. Bandido condenado vai para a cadeia (bem, pelo menos deveria...). Funcionário de qualquer empresa pego por furto ou coisa parecida é demitido por justa causa. Não tem direito a nada e ainda vai responder processo criminal. Juiz ganha (sim, é ganho) aposentadoria...

Em tudo isso fica o dito pelo não dito e, infelizmente, muita gente achando que certamente o certo é não explicar nada certo... Seria isso o certo ou tá tudo errado?

Abraços!

Sergio Schenkel

 

PS: até o momento nenhum incidente foi registrado nas manifestações. Parabéns povo (incluindo a classe média) do Brasil!!!!!



Escrito por Sérgio Schenkel às 18h34
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Olha só

                Ministro Levy diz que desoneração da folha de pagamento foi “brincadeira cara”...

                Então, o que acontece? Aumenta a tributação das empresas. Quer dizer que desonerou nada, deu com uma mão e tirou com duas.

                Mudaram as regras do seguro desemprego. Das pensões também. Daqui a pouco será a aposentadoria? Já nem me lembro do que mais havia no pacote de “contenção“ de gastos (com dinheiro alheio, claro). Mas do pacotão de aumentos lembro bem: gasolina, água, luz e tudo o que vem a reboque disso... Não preciso nem lembrar, basta ir ao supermercado.

                Tudo bem... Reduz gastos, aumenta impostos, corta benefícios sociais (não é isso mesmo, afinal?), mas onde estão os investimentos para o país retomar o crescimento? Gerar emprego e renda, como gostam de dizer os “gurus” econômicos?

                Só sei que todos os indicadores econômicos estão caindo (em desgraça). Agora o mês de fevereiro aparece como o pior desempenho da balança comercial dos últimos (muitos) anos. Houve déficit... A última previsão do “mercado” é que nosso crescimento em 2015 será negativo, perto de 0,5%.

***

                Aqui um deputado distrital, perguntado sobre o rombo deixado pelo ex-governador do DF, disse que é normal governos anteriores deixarem “restos a pagar”.

                Se os aproximadamente R$ 3 bilhões de rombo são restos a pagar para esse senhor, o que seria para ele o “inteiro a pagar”?

***

                Também por aqui, professores em greve continuaram em greve mesmo após a justiça determinar o retorno ao trabalho. E ainda estavam em reunião com o governo para negociar. Péraí: desobedecer ordem judicial e ainda negociar? Tem nada errado, não?

***

                Na Irlanda, imagens gravadas por uma câmera de segurança mostraram um cara jogando uma pedra no vidro de uma Mercedes. O “tijolo” ricocheteou, acertou a cara do sujeito e o levou a nocaute. O dono do carro ainda achou que o homem tinha sido atropelado, chamou a polícia, mas descobriram pelas imagens que o cara era bandido. Os policiais o prenderam na hora. Se fosse aqui, será que a Mercedes teria sido acusada de agressão contra um pobre transeunte indefeso e/ou o juiz do caso a teria levado para casa para cuidar dela? Bem, numa democracia de primeiro mundo não tem negociação, basta cumprir a lei e só.

                Sem mais para o momento...

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 18h33
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2015

                Escrevi essa crônica no comecinho do ano. Esqueci de publicar (?!). Acho que ainda está valendo, então vamos lá...

                Começou faz poucos dias.

                Os últimos anos passaram rápido, como se a velocidade crescesse proporcionalmente ao aumento de nossa idade. Sensação estranha, essa.

                Muito antes do ano 2000, minha geração acreditava que a vida a partir dali seria como no desenho futurista (dos anos 60) Os Jetsons. As casas seriam redomas de vidro sobre um pivô (talvez de concreto?) e as pessoas andariam em carros voadores. Um(a) robô cuidaria dos afazeres domésticos.

                Nas refeições comeríamos pílulas dos astronautas, idéia que nos foi vendida após o homem ter chegado à lua. Até hoje não consegui entender qual o resultado prático da viajem, para nós seres humanos comuns. As tais pílulas nunca foram servidas em almoços ou jantares...

                Parece que de lá para cá foi tudo tão rápido que não deu tempo dessas coisas acontecerem.

                Melhor assim: continuamos comendo arroz, feijão e bife; andando de carro sobre quatro rodas em estradas e ruas esburacadas. E nossas casas continuam pregadas no chão.

                Depois que passamos “dos trinta”, os anos voam, os “se” aumentam exponencialmente. Mas não gosto dessa idéia dos “se”; cheira a arrependimento... Do que fez ou do que não fez. Não vejo as coisas assim.

                Vocês podem estar achando (sem gerundismos) estranha toda essa “filosofia”. Ou seria embromação?

                É que eu estava a fim de escrever alguma coisa, mas o dia-a-dia da mídia só traz desgraceira. Não combina com início de ano onde todos esperam coisas boas. Fiquei sem matéria-prima por me recusar a falar disso neste momento. Deixa prá um pouquinho depois, né?

                Mesmo porque falar de reprimenda em ministro que disse o que não devia (?) no primeiro dia de trabalho; que o novo governo do DF recebeu do governador anterior um rombo financeiro astronômico (será ele responsabilizado algum dia?); que os professores daqui “não gostaram” porque o novo governador colocou os coordenadores pedagógicos de volta às salas de aula até regularizar as coisas (e falam em greve); que os funcionários do DETRAN também falam em greve caso o novo diretor do órgão não seja funcionário de carreira... Tudo isso num país democrático(?). SERIA um tremendo baixo astral para uma primeira crônica do ano.

                Mas esse é nosso mundo...

                As notícias ruins se espalham numa velocidade supersônica, superluz ou “nanointernética”, como se nada de bom acontecesse para merecer destaque da mídia.

                E eu continuo aqui, sem querer falar de nada ruim, órfão de assuntos legais para comentar.

                Então acho melhor ficar calado.

Abraços!

 

Sergio Schenkel 



Escrito por Sérgio Schenkel às 17h13
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