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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, French
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BLACK FRIDAY

                Assunto de capa na globo.com: “black friday tenta recuperar imagem arranhada por falsos descontos de lojas no Brasil”.

                Hummm... Não é só autoridade que tá sem credibilidade no país.

                Coisa séria nos Estados Unidos, onde os descontos nesse período são prá valer, aqui tem muita enganação de muitos comerciantes inescrupulosos, falsários. É verdade que não são todos, mas se fossem muito poucos ninguém estaria preocupado com isso a ponto de se publicar matéria em portal de notícias.

Lá (no exterior), se você comprar um produto e em seguida ele entrar na promoção, pode voltar na loja que os caras devolvem a diferença.

                Além do mais, quando acontece de você comprar um tênis, por exemplo, utilizá-lo e sentir qualquer incômodo, volte na loja que certamente seu tênis será trocado por um que não lhe machuque, sem precisar chamar gerente ou coisa que o valha. Aqui os caras exigem um monte de coisas para ver se você enche o saco e vai embora.

                Aí você bota seu tênis no saco (?) e, mesmo com código de consumidor e um monte de leis que, nessas horas você descobre que não servem para nada, volta prá casa com o produto. Nunca aparece ninguém com “otoridade” suficiente para resolver.

                Além de não respeitar o consumidor, muitos comerciantes têm a visão curta, míope, não se importando em criar um vínculo que permita ao cliente voltar e consumir mais, por ter sido bem atendido. Preferem vender uma só vez e pronto. E gringo normalmente pensa em fidelização, coisa que por aqui existe muito nos discursos furados de “gurus” da administração, não sendo exatamente uma verdade.

                Ah! Não estou dizendo que comerciante gringo é bonzinho, apenas eles perceberam que sendo honestos com os clientes podem ganhar mais. Simples, não?

                Mas pior mesmo é aquela técnica da promoção fajuta, difundida de forma geral. Os caras sobem os preços e depois de alguns dias baixam dizendo que estão dando desconto. E não é que funciona?

                Em muitos casos foi isso que fizeram no Black Friday tupiniquim.

Tentaram trazer para o Brasil o espírito da coisa lá do exterior, só esqueceram que estavam envolvendo na estória um povo meio assim, de princípios questionáveis, poderíamos dizer.

                Não se tocaram que alguns brasileiros exxxxperrrrtosshh gostam de levar vantagem em tudo, certo? E nem se importam a que preço...

                Aí a coisa fica ruim para todo o mundo, cada vez mais...

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

 



Escrito por Sérgio Schenkel às 11h20
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GOLPE?

                Na calada da madrugada... Deputados distritais elaboraram projetos de resolução (norma interna) que dificultam a cassação de seus mandatos e impedem que qualquer cidadão apresente representação contra algum deles por quebra de decoro parlamentar.

Escondidos nos discursos pseudo-democráticos que proferem por aí para resguardar seus interesses nem sempre tão claros, Suas Excelências apreciaram e votaram dois projetos em primeiro turno no prazo de 1 dia. Isso mesmo: 1DIA! E tais propostas, que não foram sequer protocoladas (?), ainda passaram pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça, da Comissão de Ética e da Mesa Diretora. Não seriam comissões de Injustiça e Aética?

Segundo matéria do Correio Braziliense de 13/11/2014, “... o conteúdo da proposta não é público, nem mesmo alguns deputados sabem da matéria, pois não tiveram acesso ao conteúdo...”. Dezessete dos vinte e quatro deputados endossaram a matéria, diz o jornal.

                Perplexidade com o golpe da ditadura parlamentar contra a democracia...

Às avessas, ao impedir qualquer possibilidade de apená-los com a perda do mandato por conduta irregular, observados os preceitos legais vigentes, esses deputados tentam agir como o ex-presidente general Ernesto Geisel que, durante seu mandato, fechou o Congresso Nacional para não correr risco ao governar com base em decretos-lei editados por ele mesmo.

                Ou seja: nada mais é do que, de formas distintas, “eliminar a concorrência”. Seria isso um ato de divindade coletiva (?) baseado na “inquestionabilidade” de seus atos e condutas ou corporativismo puro a sustentar um golpe branco, se é que existe isso?...

                Tirando as questões morais e éticas envolvidas, ainda resta saber como é que uma resolução interna da Câmara Distrital pode se sobrepor à legislação. Talvez o Mi(ni)stério Público possa dirimir essa dúvida de ordem técnica, embora até o momento desconheça qualquer declaração desse organismo na imprensa...

                Bom, quando tal fato veio à tona, foi um tal de deputado tirar o corpo fora, dizendo que não era bem assim, etecétera e tal... Esqueceram que havia uma lista favorável aos projetos, assinada pelos 17, a qual foi publicada na imprensa... No mínimo ficou esquisito...

                Agora a votação vai para segundo turno no plenário (parece até eleição).

                Será a hora de ver se realmente os representantes do povo representam mesmo os anseios da população e enterram de vez esses projetos ou se estão lá para representar suas próprias vontades.

                O tempo dirá, mas tomara que não demore muito para não cair no esquecimento. Isso é tão normal no Brasil que depois o povo continua elegendo aqueles que não os representa. Ou será que representam exatamente o que vários brasileiros querem e pensam?

                Como disse Millôr Fernandes, o livre-pensar é só pensar...

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 21h22
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VIAGENS AÉREAS

                Esta semana estive em Recife. Passagem comprada com antecedência, o preço foi até razoável, pensando em valores Brasil.    Mas a verdade é que os preços, todos, subiram. Uma coca-cola de 600 ml no aeroporto de BSB custa R$ 6,90 (!). Uma em lata no de Recife R$ 4,50 (!). Tá bom que tem muitos custos, mas no supermercado é um bocado menos.

                E não é só isso; a qualidade, no geral, caiu.

                O avião, um Boeing 737-800, até que era novo. Mas as companhias aéreas de um tempo prá cá compram aviões tais quais nossos carros 1.0 “completões”.

                É... Não tem mais telas para passar um filminho, não tem mais som a bordo, etc. e tal. Tem até uma empresa aérea que, quando se solicita um fone de ouvido a bordo (seus aviões mais antigos ainda têm esses recursos), ouve-se de seus comissários: “isso só para vôos acima de 3 horas de duração...”.

                Certa vez não me contive e perguntei:

                - Mas qual vôo direto no Brasil tem mais de 3 horas, exceto alguns poucos como São Paulo/Manaus, por exemplo?

                Recebi um sorriso amarelinho, amarelinho. Será que tem cheiro de embromação? Ou o tal fone "espetacular" é tão caro assim?

                O negócio desses caras é reduzir custos, não importa muito a que preço. Bem, na verdade acho que ao maior preço possível para o consumidor, cliente ou seja lá como nos chamam (por vezes penso até que de otários...).

                Chegamos para o despacho da bagagem no aeroporto de Recife. Então ouvimos da atendente no balcão ao lado, dizendo para uma passageira que tinha um excesso de peso na bagagem:

                - Olha, tira alguma coisa da mala e leva na mão, pois o preço do excesso de bagagem aumentou de forma assustadora...

                 Aí comecei a pensar no que vemos dentro dos aviões: uma galera embarca com umas “malas de mão” que quase não cabem no bagageiro, para levantá-las e guardá-las no “compartimento superior” parece que as pessoas estão fazendo halterofilismo. Muitas se dão por vencidas e pedem para que o abestado ao lado faça força por elas...

E para fechar a porta, então, é cada porrada! Ah... E é um tal de empurrar e desarrumar o que já está lá dentro, sem a menor cerimônia se vai ou não esculhambar a bagagem alheia.

                Esses bagageiros de avião são realmente de altíssima qualidade para aguentar o que aguentam.

                Continuando no papo das empresas de “low cost” (só para elas, claro), daqui a alguns dias teremos:

                - avião com um só piloto (ou só no modo automático);

                - nenhum comissário de bordo, cada um que se vire (acho que a porrada vai comer solta...);

                - talvez uma máquina de refrigerantes e outra de salgadinhos/chocolates (a preços módicos);

                - despacho de bagagem “serv-serv” (mesmo num país com um monte de analfabetos funcionais e tradicionais);

                - viagem em pé no corredor (é só dar um passinho mais à frente ou ao fundo que sempre cabe mais um).

                E por aí vai... 

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 21h01
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EXQUISITO

                Em espanhol é assim mesmo, com “x”. Quer dizer de ótima qualidade, gostoso, agradável.

                Bem diferente do significado em português, que quer dizer algo assim como estranho, anormal, estrambólico. Talvez escalafobético... Isso pode ser bom ou não...

                Depois das eleições tenho visto muitas coisas esquisitas, no bom português.

                Governos que não se reelegeram deixaram de pagar contas. Aqui em Brasília, até a festa popular de fim de ano foi suspensa “por falta de recursos”. A tradicional queima de fogos fez água, apagada pela inundação e o afogamento em dívidas.

                Algumas empresas de ônibus pararam de trabalhar, pois o repasse de recursos contratado com o governo foi suspenso. Dos 16 milhões a pagar para uma empresa, o GDF repassou 3 mi. Será que a iniciativa privada tem condições de bancar o déficit público? Mas o que importa, né? Só afetou a vida de 250.000 pessoas...

                Os garis também pararam, deixando lixo na rua. Falta de pagamento à empresa terceirizada que faz tal serviço para o poder público.

                A queima de fogos suspensa para o ano novo é café-pequeno...

                Até mesmo quem ganhou eleição dizendo que estava tudo bem na economia já está mudando o papo.

                Agora leio que o governo enviará projeto de lei ao Congresso para abandonar a meta fiscal de 2014, resultado do aumento de despesas em ano eleitoral. Quer dizer que se gastou mais do que recebeu...

                Programas sociais sofrerão cortes... não há dinheiro.

                Nos últimos anos o Brasil, que era um dos queridinhos do mundo e exemplo de economia emergente, despencou em seu favoritismo devido a estatísticas e resultados econômicos negativos, com crescimento previsto para 2015 em torno de 0,8%. Em 2014 os “especialistas” preveem entre 0,24% e 0,3%, se não for negativo.

                Em 2008 detinha uma das mais altas taxas de crescimento do G20, o qual presidia. Inflação perto do centro da meta (4,5%), possuindo grau de investimento (credibilidade no mercado financeiro internacional).  Hoje, chega à reunião do grupo dos 20, na Austrália, competindo pela lanterna do menor crescimento com a Rússia (à beira de guerra civil na Ucrânia) e com a Argentina, dona de um rombo de 80 bilhões de dólares na conta corrente.

                No ranking do Banco Mundial que mede a facilidade de realizar negócios (Doing Business), entre 180 países somente 14 são piores que o nosso (?!).

                Mas, segundo uma fonte da área econômica citada pelo Correio Braziliense em sua edição de 09/11, “o importante é que a inflação está controlada e houve preservação dos empregos e aumento de renda” (SIC).

                Tá EXQUISITO? Tá não! Nem a tal “contabilidade criativa” dá jeito!

                Tá é ESQUISITO mesmo. Até aquela nossa ministra do “relaxa e goza” pediu demissão e criticou a economia, coisa vista pelo Planalto como “deselegante”...

Quem era antes e perdeu eleição deixou seu legado, que não é aquela beleza da copa do mundo que até agora ninguém viu... Quem era antes,  ganhou e vai continuar, deixou uma herança para si próprio, que também não é nada  beleza...

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

PS: no Rio, bandidos armados de fuzis impedem acesso de quem comprou imóveis do Minha Casa Minha Vida. Tudo filmado e exibido em rede nacional. E a gente ainda se preocupa com problemas econômicos... 



Escrito por Sérgio Schenkel às 20h32
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BICICLETARIA

                Andar de bicicleta é legal, usei o veículo como meio de transporte e de diversão (mais isso) durante minha infância e adolescência.

                Em muitos países do mundo é largamente utilizada, meio de transporte limpo, carrega muita gente prá lá e prá cá sem poluir. Existe respeito no trânsito e vias adequadas por onde transitar.

                Mas, mesmo onde se usa isso largamente, nem tudo é perfeito. Na Holanda, exemplo importado por muitos “especialistas em trânsito” para justificar a construção de ciclovias, a coisa é cruel. Cuidado ao atravessar a rua na frente de um ciclista (e são muitos!), você poderá ser xingado e até levar um encontrão. A divisão do espaço é cruel.

                Em Brasília vejo situações no mínimo esquisitas.

                Na avenida que contorna o Lago Sul, região residencial, transformaram o acostamento em “ciclofaixa”. O que seria tal coisa?

Os ciclistas reclamam quando carros param ali, com problemas mecânicos ou mesmo para pegar ou deixar pessoas, porque atrapalham sua passagem. Mas canso de ver, principalmente nos finais de semana, grupos andando de bicicleta na faixa de rolamento da direita... Aí é a vez dos motoristas reclamarem... Ahhh... a tal da educação...

                No Eixo Monumental, desde o Congresso Nacional até a igreja Rainha da Paz, pintaram uma faixa exclusiva para bicicletas junto ao meio-fio do canteiro central, nos dois sentidos. Funciona aos domingos e feriados. Logo depois, construíram uma ciclovia dentro do canteiro central, também indo e vindo, no mesmo percurso. E não desativaram a tal “ciclofaixa”. Até hoje não entendi...

                Voltando ao Lago Sul, construíram muitos quilômetros de ciclovias (essas de verdade, exclusivas para bicicletas) perto das vias internas do bairro. Muito bacana. Passo constantemente por várias delas, inclusive próximo de casa, e raramente vejo alguma bike transitando por ali. Dia desses, acho que num domingo, me chamou a atenção um casal andando de bicicleta com sua filhinha numa dessas vias. Coisa inusitada...

                Segundo o governo do DF, nos últimos 4 anos foram construídos mais ou menos 450 km de ciclovias. Pelo menos esse era o plano inicial. Qual o custo disso? Ninguém disse. Qual o benefício? Muito menos.

                Prá quê, né? Afinal o que importa é estarmos alinhados com países desenvolvidos, tipo Holanda ou algo assim. Vamos construir ciclovias mesmo que quase ninguém as utilize.

                Será mesmo que alguém vai pegar uma bicicleta no Lago Sul, pedalar em média entre 15 e 20 quilômetros até a Esplanada dos Ministérios para trabalhar e depois voltar para casa? Chegar no seu local de trabalho e nem ter um banheiro decente para “lavar o rosto” (SIC) e trocar de roupa? Quantas pessoas utilizam bicicleta no dia-a-dia, de verdade? Estudaram a viabilidade disso antes de construir as ciclovias ou “ciclofaixas”? Hummm...

                Nem vou falar das pessoas que moram em cidades-satélites, cujas distâncias até o centro são bem maiores...

                Sem contar que isso não faz parte da cultura do brasileiro, que parece gostar mais de um carro.

                Ah! Não sou contra a bicicleta, muito pelo contrário.

                Só fico impressionado de ver como arrumam justificativas e exemplos importados para nos empurrar goela abaixo, sabe-se lá a que custo, coisas que tem pouca ou quase nenhuma funcionalidade ou, ainda, são inadequadas ao nosso estilo de vida.

Será porque é ecologicamente correto?

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 16h51
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VISÕES “DOS INFERNOS”

                Sexta-feira, agência do INSS numa cidade-satéliite do DF.

                Fui até lá levar uma tia para solicitar sua aposentadoria. Previamente ela havia agendado o atendimento no site do Instituto, naquele local, às 10:15 horas.

                Chegamos quinze para as dez, entramos na fila para pegar senha, mesmo tendo agendado previamente. O Brasil é engraçado: se não pegar senha ou “fizer ficha”, não tem atendimento. No balcão dois funcionários de humor questionável. Um deles, para chamar o próximo da fila, batia duas vezes com a mão no balcão... Pensem a sutileza...

                Na nossa vez informamos que tínhamos agendamento para as 10:15 horas:

                - Hummmm... a senha só pode ser distribuída com 15 minutos de antecedência da hora marcada, então aguardem fora da fila, disse o atendente quase rosnando. Simpatia pura...

                Saímos da fila e retornamos na hora marcada. O cara nos atendeu, consultou o monitor à sua frente, aquela cara de entendido com desdém, e disse que não encontrava o nome da minha tia. Clicou várias vezes no mouse e finalmente, com cara de grande favor, disse que encontrara e imprimiu a tal da senha.

                Subimos ao primeiro andar. Prédio sujo, mal-cuidado, fiação dos splits (sim, tinha ar-condicionado!) expostas, embaralhadas e soltas pelas paredes que não viam uma tintazinha há anos. As cadeiras de espera jogadas pelo salão, alguns forros rasgados. Tinha umas 50 pessoas por ali.

                Às 10:45 hs, passados 30 minutos da hora marcada, fui dar uma volta para ver o que acontecia, já que o painel das senhas não se mexia.

                Fui até uma porta que dava na sala dos guichês de atendimento, no total de 18. Dois estavam funcionando. Notaram bem? De 18, funcionavam 2!

Saímos eu e minha tia a andar pela “repartição”, quando encontramos duas senhoras que passavam e, vendo nossas caras de abestalhados, perguntaram se procurávamos algo. Ao dizermos que sim, elas se identificaram como funcionárias do local, sem no entanto esboçar qualquer simpatia.

Perguntamos se havia algum problema no atendimento, se o agendamento feito com antecedência estava mesmo valendo, pois quase 40 minutos após o horário a tela das senhas não se movimentava.

- É porque os funcionários estão comendo um bolinho numa comemoração, disse uma delas, sem a menor cerimônia.

- Que bonito, mais de cinquenta pessoas esperando atendimento e os funcionários “comendo um bolinho”? Isso é uma vergonha, dissemos.

Nos fuzilaram com seus olhares, viraram as costas e saíram...

Saímos perto do meio-dia. Claro que nem tudo resolvido, pois mesmo levando todos os documentos citados no site, sempre falta alguma coisa...

***

Econômica e financeiramente nosso país está lascado. Não preciso nem dizer o porquê, é público e notório.

Mas vejam só que bacana: uma ministra do Supremo Tribunal Federal, alheia a isso tudo, mesmo que público e notório, proferiu uma decisão determinando que o poder executivo inclua no orçamento para o próximo ano um “módico” reajuste de 22% nos salários dos ministros do judiciário. Isso gera um efeito cascata que atinge todos os servidores daquele poder... Já imaginaram?

Alguém no poder executivo ou na iniciativa privada terá reajuste parecido?

E haja aumento de imposto para bancar essas coisas!

De formas distintas, são duas visões “dos infernos”, né não?

Abraços!

Sergio Schenkel

 

P.S.: Valeu, Didita, pela ida ao mundo real do INSS.



Escrito por Sérgio Schenkel às 20h31
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PENALIDADE

                O assunto é tema em todas as conversas. Falado em campanhas eleitorais. Vive em discussão entre especialistas, “otoridades”, legisladores.

                Uns contra; outros a favor. Não sei porque, depois de anos em pauta, ninguém chega a conclusão alguma. E assim vai... Discute, discute e não resolve nada, deixa tudo como está para ver como é que fica.

                Ah... sim, essa tal de maioridade penal. Dezoito ou dezesseis anos?

                Para mim, nem um, nem outro.

                Independente de idade, bandido é bandido. Caso se coloque um limite de idade para a criminalidade, sempre haverá alguém abaixo disso. E, como vemos hoje, quem aí se enquadrar vai continuar zombando dos policiais e tirando sarro da cara de todo o mundo quando vai em cana.

                Então, pensem bem: a discussão não deveria ser sobre a questão da imputabilidade penal (êta nomezinho, hein)? É... a questão não é a idade, a questão é a aplicação da pena para o crime cometido.

                Não importa quantos anos tem; praticou um crime, é julgado e recebe a pena, observados os atenuantes e agravantes legais. E não tem essa conversa fiada de que porque é menor tem menos compreensão disso ou daquilo. Se teve capacidade para cometer o delito, tem também capacidade para responder por ele.

                Bom, diriam alguns, mas não tem que se preocupar com a recuperação e a ressocialização do preso? Sim, tem. Mas isso deve ser igual para todo o mundo, não tem nada a ver com idade. Talvez apenas existam formas diferenciadas de fazer isso. Mas tal coisa é da alçada dos especialistas.

                Controvérsias? Muitas.

                Leis perfeitas? De jeito nenhum.

                O que já cansou é ouvir discussões intermináveis e as pessoas pagando o pato porque somos incompetentes para disciplinar uma questão dessa importância.

                Também parece que todos estamos cansados de saber que o problema vem lá de trás, da falta de educação e de condições dignas de vida. Esse é o nosso país real e isso tem que ser mudado. Mas enquanto não acontece deixa tudo virar zona?

                Desculpas existem muitas para tudo.

                Não dá é prá ficar com essas visões míopes e distorcidas como que fugindo do foco das questões.

                Nem 16 nem 18. Lei para todos.

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 20h33
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CONTABILIDADE CRIATIVA

                Dias atrás fiz uma referência à criatividade do brasileiro, reconhecida mundialmente como uma virtude de nosso povo.

                Outros países ficam impressionados com nossa capacidade de improviso, de criar soluções para resolver problemas, apresentando alternativas que as cabeças mais cartesianas não conseguem imaginar.

                Também pudera! Quem já viveu com inflação de dois dígitos ao mês, sobrevive com nosso “nababesco” salário mínimo e com os juros bancários que aí estão, nem surpreende tanto assim. Isso para nós. Para os gringos não dá para imaginar que essas coisas existem.

                Agora, me expliquem como é que se pode inventar a tal da contabilidade criativa. Tem que ter uma baita de uma criatividade, não?

                Talvez nem tanto assim. Por quê? Ora, recentemente a Argentina saiu na frente, se bem que lá disseram que foi maquiagem nas contas públicas... Não seria a mesma coisa com outro nome?

                Maquiagem ou criatividade, quase tudo dá no mesmo, neste caso.

                Vamos então dizer que nós, brasileiros, é que somos mais “criativos” e inventamos essa tal contabilidade, embora eu continue achando que os argentinos também o são.

                Conheço pouco de contabilidade; na minha concepção era para ser uma coisa exata, numérica, concreta. Mas sei que nem sempre é assim; depois da lei da relatividade (que, pasmem, não foi criada por nosso Congresso), tudo pode se justificar. E, afinal, papel aceita qualquer coisa. Até as coisas que escrevo...

                Contabilistas, me ajudem!

Para mim o princípio básico é o do crédito e débito. Receber e pagar, nem sempre nessa ordem. Com os comprovantes devidamente registrados.

                Seria a tal da criatividade responsável pela transformação de débitos em créditos? Ou talvez pelo sumiço de débitos e “aparição” de créditos? Deixar os balancetes e balanços sempre no azul? Fabricar coeficientes eficientes de liquidez, endividamento, patrimônio e por aí vai?

                Bom, isso na contabilidade do setor privado. E do público, serviria para quê, hein?

                Hummmm... Êta criatividade.

    Mereceria um Nobel.

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 17h18
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VERBORRAGIA

                É impressionante a riqueza da língua brasileira (é... isso mesmo! Ou acham que falamos português?!).

                Nesses tempos de propaganda eleitoral, então, podemos ver a “criatividade” do povo para assassinar nossa pobre língua, ou criar algum tipo de engodo.

                Aqui no Distrito Federal vejo o quanto isso é verdade. Pelas notícias que tenho, o mesmo ocorre em todo o Brasil. Acho fantástico, digamos assim...

                Candidata a Deputada Distrital diz que é a única candidata ECOSUSTENTÁVEL, seja lá o que isso queira dizer. Outra afirma que irá plantar uma árvore a cada voto recebido, caso eleita. Tá bom... ela não atentou contra a língua pátria, mas sua promessa é muito “criativa”, considerando que para se eleger a tal cargo são necessários perto de 8.000 votos. Transformados em árvores dá uma bela grana. Será que ela vai elaborar um projeto de lei para direcionar recursos públicos para o plantio das mudas e cumprir sua promessa?

                Mudando de setor, passando do ambiental para a economia e saúde, vejam só: uma candidata promete que, se eleita, lutará para incluir os dependentes dos rodoviários no plano de saúde oferecido pelas empresas de ônibus. Hein? Desde quando um deputado distrital pode fazer isso?

                E ainda outro (que já foi deputado) dizendo que fará projeto para reduzir o número de assessores nos gabinetes de senadores. O dinheiro economizado seria investido em saúde. Parece que não sabe que contas públicas não são assim, bota e tira dinheiro prá cá e prá lá... Saúde é executivo, verba de senador é legislativo. Precisa dizer mais?

                Bom, agora chegamos às expressões preferidas: lutar, ajudar, defender, estudar, analisar, consultar a sociedade e etecétera e tal.

                Os verbos são utilizados nos mais variados tempos de conjugação, desde o infinitivo até o futuro do pretérito. O complemento vem ao prazer e conveniência do momento e do público... seja passado, presente e futuro, tal qual pitonisa.

                Fico me perguntando se esses verbos se traduzem mesmo em algo concreto, como é o sentido de FAZER. Minha resposta invariavelmente é a mesma: não! Será que estou enganado?

                Quando nada há de real, se luta(ou); ajuda(ou); defende(eu) e por aí vai. E onde fica o faz (fez e fará)?

                E essa coisa não se restringe apenas aos candidatos a cargos proporcionais, mas tristemente também aos majoritários. Observo no horário eleitoral esses (e aqueles) dizendo nada com coisa nenhuma, pouca consistência, sempre analisando, defendendo, lutando, discutindo com a sociedade; e viva a cultura gerundiana!

                Sei não, parece que certos temas importantes já passaram da fase de discussão. Todo o mundo quer o fim do fator previdenciário. O tal do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) é uma ECA, a sociedade já cansou de ver bandido menor de idade premiado com as benesses dessa legislação.

Pequenos exemplos de um rosário interminável.

Dizem por aí que o brasileiro tem fama mundial de ser criativo.

Acho que até demais em se tratando de criar soluções para não solucionar coisa alguma. Basta reparar nos verbos utilizados na maioria dos discursos.

Abraços!

 

Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 12h06
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METAS

                Metas são coisas engraçadas.

                Quando são superadas podem ser coisas boas ou não. Da mesma forma acontece quando não são atingidas.

                Por exemplo: se a inflação passa do centro ou supera o teto da meta, não é nada bom, principalmente no último caso.

                Em se tratando de educação, quando os indicadores do ensino médio ficam abaixo da meta, também é mau sinal.

                Parece coisa de estatística que, ao sabor de quem apresenta algum tipo de análise qualquer, pode servir para justificar o injustificável, ou vice-versa o contrário...

                É isso o que estamos assistindo.

                A inflação se distancia cada vez mais do centro da tal meta e já superou seu teto, enquanto as metas para o ensino médio não foram atingidas. Tem outras mais, mas não vou nem citar devido à quantidade e os resultados que aí estão.

E a cada dia aparece um artista para justificar isso ou aquilo, tentando provar que os resultados não são ruins, como se fôssemos todos abestalhados. Ou seja: meta acima ou abaixo, tá sempre “tudo bem”.

                Assim vamos, sem saber exatamente para onde. Sabemos apenas que as metas, sejam prá lá ou prá cá, estão verdadeiras M3RD@$.

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

 



Escrito por Sérgio Schenkel às 16h53
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NÃO TEM TÍTULO

                Pelo que vou discorrer nesta crônica, artigo ou seja lá o que for, será impossível nominá-la. Talvez pelos absurdos ou mesmo por falta de inspiração. Quem sabe por isso tudo ou porque realmente neste país está difícil dar nomes aos bois, tamanha a confusão que se instalou. Pode ser, ainda, esculhambação.

Mas o que importa são fatos, o resto é conjectura...

                Há tempos inventaram uma tal Lei da Ficha Limpa. Anunciaram e nos venderam isso como o grande e definitivo instrumento para moralizar as eleições. Todos acreditamos que, a partir de então, pessoas condenadas pela justiça não poderiam se candidatar a cargos eletivos. Tudo muito simples para nós cidadãos comuns, não?

                Mas em seguida instalou-se a dúvida(?) e decidiram(?) que isso somente aconteceria se a tal condenação ocorresse em segunda instância e a decisão fosse de um colegiado. Começamos a não entender tão facilmente.

                Agora, nesse pleito de 2014, vemos candidatos condenados por colegiado em segunda instância continuarem candidatos. É, porque obtiveram “liminares” e as decisões estão em fase de recurso... Passamos a “não entender” mais, ou acham isso.

                Como nossa justiça é pródiga, diga-se muuuuiiiittttoooo pródiga em subterfúgios para favorecer infratores, os tais recursos se perpetuam, demoram a ser julgados e, claro, “sempre cabe mais um”. Assim, as campanhas  continuam, o período eleitoral acaba, alguns desses se elegem e... Dificilmente perderão seus cargos depois de eleitos. Pode acontecer um caso aqui e ali, mas... O normal, mesmo, é que o tal “trânsito em julgado”, lépido feito um jumento manco e rápido feito um curisquinho aleijado chegue sempre “na hora”. Parece até ônibus de cidade grande preso no trânsito em dia de greve de rodoviários.

                Então me deparo com uma notícia estarrecedora: um assassino confesso que matou um cartunista e foi preso em 2010 voltou a matar. Como assim?

                Bom, na época de sua condenação o cara foi apenado a cumprir sei lá quantos anos internado em uma instituição de saúde (sei lá se é assim que se fala isso de forma politicamente correta), aquilo que se conhecia por manicômio judiciário ou sanatório.

                Em agosto passado foi feito um laudo médico dizendo que o cara estava recuperado e apto para voltar ao convívio social. A notícia que vi não falava se a conclusão tinha sido de um colegiado de médicos, se foi submetido à justiça e essa concordou, entre outras coisas. Mas o que me chamou mesmo a atenção foi o fato de ninguém ter falado sobre a pena pelo assassinato que o cara cometeu. Quer dizer, ele matou uma pessoa, concluíram que ele era doido e quatro anos depois um laudo médico o coloca pronto para a ressocialização...

                Agora, o cara sai da tal instituição e comete latrocínio (acho que foi isso). Prenderam ele de novo, como aliás acontece com vários outros.  

                Vamos aguardar a chegada dos “universitários” para ver o que fazer. Sociólogos, antropólogos, psicólogos, assistentes sociais, médicos, treinadores de futebol, encanadores, flanelinhas... Fazer uma consulta pública que redundará num TAC assinado por toda a sociedade civil (des)organizada.

                Prá que mesmo, hein? Com essas leis que temos por aí não tem TIC, TAC ou TECO que resolvam (nem que sejam cumpridos)!

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 17h33
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E AGORA, BRA?

                Hoje o IBGE divulgou os dados do PIB do segundo trimestre.

                Tristeza, não tenho outra expressão para definir. Primeiro os árduos números:

                - a parcial do primeiro trimestre tinha tido avanço de 0,2%. Isso já era uma m&rd@... Ficou pior: foi recalculado para queda de 0,2%...

- no segundo trimestre, bem... Encolhemos 0,6%.

Segundo economistas, duas parciais negativas configuram recessão técnica. Deixando formalismos de lado, vendo o que acontece no dia-a-dia, há mais de dois trimestres estamos fu... mesmo.

O dinheiro encurtou para todo mundo, os preços em geral subiram (e depois não desceram), sempre com aquela conversa fiada de algum tipo de sazonalidade (que não a agropecuária – essa realmente existe), o natal, o carnaval, a semana santa, a copa do mundo e por aí vai. Puxa, como criam desculpas para justificar o injustificável!

A estatal do petróleo criou uma “nova” gasolina aditivada que apresenta novidade nenhuma e todo o mundo acompanhou essa “novidade” para aumentar preços. Em Brasília o aumento foi “só” de 8%. O seu carro teve alguma melhora (de consumo, por exemplo) perto disso?

Comparativamente, o Estado arrecadou mais tributos que no ano passado. O número é tão absurdo que nem sei mais. E o PIB caiu? Cadê essa grana que não gerou nada produtivo?

Mas tem 50 bi (acho que de dólares), para criar o Banco do BRICS. Cadê o do Mercosul? Bom, esse acho que já nasceria quebrado, tendo em vista as brilhantes economias de seus principais atores, leia-se Brasil e Argentina. E tem alguns outros bi para socorrer as empresas elétricas que se endividam pela demagogia alheia. Só que esses bi serão pagos por nós nas contas que virão.

E nossos “magos” econômicos ficam reclamando que os brasileiros gastam cada vez mais no exterior. Ao invés disso, que tal tornar nossa economia mais eficiente com preços mais competitivos? Hummmm, mas isso dá muito trabalho e poderiam correr o risco de perder uma das justificativas para a desgraça que estamos vendo.

As contas do governo têm o pior resultado dos últimos 18 anos. É... dezoito anos! Será que o dinheiro que vem da maior arrecadação tributária está sendo bem administrado? Difícil crescer assim.

Se o país se endividasse para montar uma infraestrutura que o tornasse competitivo com as melhores economias do mundo, nem diria nada. Mas o que vemos é o contrário. Infraestrutura deixando de ser construída e a já existente, se acabando.

Fica a expectativa: tô curioso para ver a parcial do PIB do terceiro trimestre, incluindo os resultados da Copa do Mundo.

Mas isso fica para depois (como quase tudo neste país).

Abraços!

 

Sergio Schenkel 



Escrito por Sérgio Schenkel às 10h54
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DISCURSO

                Candidato em uma eleição qualquer para um cargo legislativo:

                - Meus amigos (sem aquela demagogia de amigos e amigas).

                - Vim aqui, hoje, pedir seu voto. Não vou prometer asfaltar ruas. Não vou prometer dar água, luz e esgoto. Muito menos fazer quadras de esporte. Emprego para todos, nem pensar. Bolsa? Nem individual, que dirá família.

                - Ah! Defesa dos trabalhadores que não querem trabalhar também tá difícil... principalmente aumento de salário e redução da jornada de trabalho.

- Já ia esquecendo dos impostos. Acho que também não vai dar para reduzir. Bom, quem sabe distribuir uns lotes? Legalizar invasões? Acabar com a violência? Dar transporte decente? Bons hospitais? Educação? Hummm..., acho que também não dá prá prometer isso.

                 - É, conseguir moradia barata, com juros reduzidos, também não vou prometer. Muito menos que não vou faltar a nenhuma sessão, afinal isso é apenas obrigação.

                - O programa do partido! Vai ser impossível falar, porque não conheço (NR: o partido ou o programa?).

- E para finalizar, prometo que não registrarei minhas não-promessas de campanha em nenhum cartório, pois se eleito ou não, ninguém vai procurar por isso depois.

- Muito obrigado, votem em mim!

                Depois disso, fiquei pensando no que estão dizendo na propaganda eleitoral que assisti hoje na televisão. Todos falam que vão fazer e acontecer, só que ninguém diz como nem de onde surgirão recursos para tanto! Tem gente que não sabe o que está fazendo ali, acho eu. Ou sabe...

                Isso vem de muito tempo, mas a cara-de-pau tá ficando cada vez mais dura, não tem cupim que resista.

                O país em recessão, a criação de empregos em queda livre, os juros de mercado de novo (ou ainda?) na estratosfera, o povo cada vez mais endividado, os calotes comendo frouxo, a arrecadação de impostos aumentando e o investimento público diminuindo (?!) e, embora tenhamos um desempenho econômico vergonhoso, continuam nos dizendo que somos dos BRICS e do G 20, “país emergente”.

Ah é? E daí? Na atualidade estamos mais com cara de “submarino submerso” com o periscópio embaçado.

                Será que o cara do discurso lá de cima teria alguma chance?

                Abraços!

 

                Sergio Schenkel



Escrito por Sérgio Schenkel às 16h27
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CONFUSÃO

                É um instituto previsto no Código Civil Brasileiro. Advém do vocábulo latino confusio, onis, que significa mistura, mescla, DESORDEM, dentre outras acepções. No Código Civil consiste em reunir, numa única pessoa, a figura do credor e do devedor. Confuso, não? Hummm... nem tanto.

                A Câmara dos Deputados acaba de aprovar um Projeto de Lei que cria a figura do PARALEGAL, estudante ou graduado em Direito que, por não ter passado na prova da OAB, não pode exercer sua profissão de advogado.

Após ler a matéria num site de notícias tudo me soou muito estranho e “confuso”. Logo pensei como consequência a (des)Ordem dos Advogados...

                Os defensores da reserva de mercado vão pular alto. Afinal entrarão no mercado cerca de 5 milhões de estudantes e bacharéis em direito. Tudo bem que não podem assinar petições e representar clientes em juízo, apenas poderão assistir profissionais habilitados. Mesmo assim poderão fazer sombra.

                Habilitados? Por quem? A habilitação não é adquirida com a colação de grau superior? Quem é essa OAB que tem o direito de dizer quem pode ou não exercer sua profissão conquistada em anos de faculdade, mediante a aplicação de uma prova?

                Tenho mais perguntas do que respostas.

                Quanto ao projeto de lei, aí é que me veio mesmo à cabeça a tal da confusão... No português claro!

                O profissional, seja ele estudante ou já formado, poderá exercer a atividade por 3 anos. Profissão com data marcada? E daqui a 3 anos?

                “O paralegal, em síntese, é alguém que, não sendo advogado, auxilia e assessora advogados, realizando funções paralelas e de grande importância para o sucesso do escritório de advocacia. Como é evidente, eles não podem exercer sozinhos atividades típicas de um advogado, como dar consultas ou assinar petições aos tribunais”, explicou o relator da matéria.

                Isso é o máximo, não? Agora profissionais que possuem o mesmo grau de formação ficam divididos em “Série A” e “Série B”. E o tal princípio da isonomia?

                Ou será que estão equiparando estudantes com formados? Pelo jeito vão acabar os estágios dos primeiros.

                Um deputado que optou por não votar, explicou que não é contrário à proposta. “Quem é contra o exame da Ordem não pode concordar com o apaziguamento desse limbo social que foi criado no Brasil. É um exame cartorial de interesses financeiros. Para não criar problemas, vou me abster, mas deixo claro que, no futuro, nós vamos enfrentar uma discussão verdadeira entre admitir ou não o Exame de Ordem”, explicou. Hummm... Então tá, né?

                Sinceramente, não acho que seja um assunto para discussão posterior, empurrando-o com a barriga como muitas coisas no Brasil.

                Também não acredito em provas para “validar” um diploma de curso superior. Tá cheio, por aí, de profissionais medíocres devidamente “encarteirados” por órgãos de classe. Se essas entidades quisessem mesmo melhorar os níveis de seus profissionais, deveriam propor junto ao Ministério da Educação e tomar a frente de um programa contínuo de fiscalização e avaliação dos cursos superiores.

                E haja CONFUSÃO!

                Abraços!

                Sergio Schenkel

 

                P.S.: Não ia nem falar, mas já que estou aqui, né? Um deputado apresentou na Câmara Federal um projeto que é uma pérola: proibir que o Brasil compre livros publicados, impressos ou sei lá o quê no exterior, ou seja, não se poderia mais importar livros. Justificou que isso seria uma proteção à indústria gráfica nacional. Ah é??? Não li o projeto, apenas tive notícia, mas fiquei sem saber se isso se trata da materialização de um poderoso lobby ou da “incultura” desse senhor. Em outras palavras: algo assim como fazer uma fogueira de livros, o que já vimos em outros momentos da história... Êta BraZilZão...



Escrito por Sérgio Schenkel às 14h32
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TEJE PRESO

                A Estrada para Goiânia era uma pista só. Eram poucos carros.

O ano? Talvez 1977, ou 78. Eu tinha um fusca vermelho com rodas de magnésio e volantinho “Fórmula 1”, daqueles que deixava o carro pesado para manobrar, mas para fazer curvas era ótimo.

O autódromo de lá seria inaugurado, ia ter corrida o fim de semana todo, inclusive na noite de sábado para domingo. Na cidade morava um amigo meu dos tempos de colégio Rosário em Porto Alegre, o Fabbrin, e ficaríamos na casa dele, eu e o Bilo.

Preparamos tudo para dormir no autódromo. Na bagagem o equipamento de sobrevivência: além de biscoitos e refrigerantes, o saco de dormir e a inseparável insulina. É... desde pequeno sou viciado químico, por conta da diabete infanto-juvenil que apareceu lá pelos 9 anos de idade. Nada que tenha atrapalhado; carregar seringas e frascos de remédio na mochila para mim sempre foi muito normal.

Após a noite passada na grama do autódromo, amanhece o dia e a fome aparece. O sol ainda fraquinho começa a esquentar o esqueleto gelado pela temperatura da madrugada.

Antes de qualquer coisa, inclusive e principalmente comer, a aplicação da insulina era fundamental.

Fui então procurar um banheiro para ter um pouco de privacidade e evitar problemas. Cheguei numa bateria de sanitários. Abri a porta e entrei. Na verdade tentei entrar.

Putz! Saí de imediato, num giro de 180 graus fechando o nariz, meio nauseado. A coisa tava feia... imaginem o que não tinha de bactéria e muitos outros bichos invisíveis por ali...

 Assim não dá, pensei já olhando para o banheiro feminino ali ao lado.

A porta entreaberta indicando estar vazio, empurrei um pouquinho e botei a cabeça para dentro (do recinto - ôôô pensamento, hein?). Estava mesmo vazio, entrei e tranquei a porta.

Embora não fosse o ambiente mais asséptico do mundo, sem dúvidas era melhor que o outro do qual havia fugido. Vou arriscar!

Após a aplicação da insulina, aproveitei para liberar a cerveja da noite, afinal ninguém é de ferro. Tudo pronto, abro a porta para a liberdade e...

... Dou de cara com um soldado da Polícia Militar de Goiás me olhando de cima abaixo, eu com a seringa usada ainda em uma das mãos.

Antes que ele diga alguma coisa vou logo falando:

- Isso é insulina, seu guarda. Sou diabético e o outro banheiro estava imundo.

- Diabético é o C@R@L#*! Disse ele num tom nada amigável.

- “Teje preso”, completou. Vamo explicá pro delegado no posto (que era dentro do autódromo).

- Tá bom, disse eu.

E assim fomos parar na frente do delegado que fazia plantão por lá. O cara, mais esclarecido, ouviu minhas explicações e compreendeu minha dificuldade em achar um local mais ou menos seguro para tomar uma injeção. Só me disse que da próxima vez tomasse mais cuidado ao sair de um banheiro com uma seringa na mão, pois o que era normal para mim estava longe de ser para o policial militar.

Verdade restabelecida, voltei para assistir minhas corridas com mais uma lição aprendida.

Use um banheiro feminino, mas nunca ande com uma seringa na mão...

Abraços!

Sergio Schenkel

 

 



Escrito por Sérgio Schenkel às 11h58
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